Checklist de design é a lista de regras que toda arte precisa cumprir antes de sair do designer: tamanho, proporção, área segura e o que não pode encostar na borda. Quando vira um arquivo que a IA do designer lê, ganha outro nome: guardrail de arte. E passa a travar a entrega errada antes de chegar em você.
Seu designer usa IA. Você não sabe se usa? Usa. Hoje quase ninguém desenha arte do zero na mão, e tudo bem. O problema nunca foi a ferramenta dele. O problema é que a regra da sua marca mora na sua cabeça, e a IA dele não lê pensamento.
O erro de margem que ninguém vê até publicar
Vou contar um caso de cliente sem dizer quem é, porque o que interessa aqui é o método.
A gestora me trouxe uma reclamação que parecia pequena: o designer não acertava as margens. Uma arte saía com o título cortado no vídeo vertical. Outra com o logo escondido no canto que a plataforma corta. Outra com o texto colado na borda. Cada uma voltava pra correção, e cada correção custava um dia de ida e volta.
A pergunta dela foi direta. Ele usa IA ou não usa? Ela não sabia, e isso incomodava mais do que a margem. Minha resposta foi que com certeza usava, porque ninguém mais faz design inteiro na mão. A dúvida certa era outra: a IA dele conhece as regras da sua marca? Não conhecia. Ninguém tinha escrito um checklist de design pra ela seguir.
A saída foi um arquivo em markdown, texto puro, com as regras de cada mídia. E uma instrução curta pra ela repassar ao designer: passa toda arte por aqui antes de mandar pra mim. Resolveu. A gestora não precisou aprender a ferramenta do designer, não precisou vigiar a tela dele e não precisou virar especialista em pixel. Ela entregou o checklist de design em formato de regra, e a regra passou a trabalhar sozinha.
Repara por que esse erro passa. O designer trabalha num monitor grande, com a arte inteira na frente. O seu cliente vê a arte no celular, com a interface da plataforma por cima: botão, legenda, nome do perfil, foto redonda. O que estava perfeito no arquivo fica cortado no feed. O erro de margem é invisível na mesa de trabalho e gritante na hora que publica.
E tem a outra metade do caso, que é a IA que o time usa sem você saber. Isso tem nome, e eu escrevi sobre o assunto em shadow AI no time comercial. A conclusão vale aqui também: proibir não funciona, um checklist de design escrito funciona.
O que é um guardrail de arte
Guardrail é a regra escrita que faz a IA travar antes de fazer besteira. Eu explico o conceito inteiro, com exemplos de outras ferramentas, no guia de guardrails de IA. Aqui interessa a versão aplicada à arte.
Pensa no checklist de design que toda agência já teve um dia num PDF. Ele funciona quando alguém lembra de abrir. Na correria, ninguém abre. O guardrail é a mesma lista, escrita num formato que a IA lê toda vez, sem depender da memória de ninguém. E com uma regra a mais no fim: se a arte infringe, ela não sai.
Eu explico isso pros meus clientes com a imagem do liquidificador. A arte entra, passa pelas regras da casa e sai com a cara da marca. Se eu fosse corrigir cada peça na mão, eu enlouquecia. O arquivo faz a parte repetitiva, e eu fico com a parte que pede cabeça.
Um bom checklist de design em formato de guardrail tem quatro características:
- Texto puro. Markdown ou bloco de notas. Qualquer IA lê, qualquer pessoa edita.
- Dividido por mídia. Regra de YouTube não se mistura com regra de LinkedIn.
- Com número da fonte oficial. Medida que veio de print de terceiro envelhece sem aviso.
- Terminando em trava. A última instrução diz o que fazer quando a regra falha.
O cabeçalho do arquivo pode ser genérico assim:
- Antes de entregar qualquer arte, identifique a mídia e o formato.
- Confira cada regra do bloco daquela mídia, uma por uma.
- Se uma regra falhar, não entregue. Corrija e diga qual regra estava quebrada.
- Se a mídia ou o formato não estiver neste arquivo, pergunte antes de criar.
Essa última linha é a que mais economiza retrabalho em qualquer checklist de design. A IA sem regra inventa. A IA com regra pergunta.
Checklist de design pro YouTube
No YouTube a arte que mais roda é a thumbnail, e o erro mais comum é entregar no tamanho errado e deixar a plataforma decidir o corte.
A Ajuda do YouTube sobre thumbnails pede thumbnail de vídeo com resolução de 3840 x 2160 pixels e largura mínima de 640 pixels, em proporção 16:9. Pra Shorts, a resolução indicada é 2160 x 3840 pixels, em 9:16. O arquivo sobe em JPG ou PNG, com limite de 50 MB pelo computador e de 2 MB pelo celular pra thumbnail de vídeo.
O banner do canal tem regra própria. Segundo a página de identidade do canal no YouTube, a dimensão mínima de upload do banner é 2048 x 1152 px, em 16:9, e a recomendada, pensando em TV, é 2560 x 1440 px. Na dimensão mínima, a área segura pra texto e logo é de 1235 x 338 px. O arquivo vai até 6 MB.
Esse último número é o que mais pega designer desavisado. O banner é enorme, mas a faixa que aparece em todo aparelho é estreita. Logo fora dela some no celular, e por isso a área segura entra no checklist de design com número.
O trecho do guardrail pro YouTube fica assim:
- Thumbnail de vídeo: 16:9, largura mínima de 640 px, entregar em 3840 x 2160 px.
- Thumbnail de Shorts: 9:16, entregar em 2160 x 3840 px.
- Formato JPG ou PNG, abaixo do limite de tamanho do aparelho que vai subir.
- Banner: entregar em 2560 x 1440 px, com texto e logo dentro da área segura de 1235 x 338 px no centro.
- Texto da thumbnail legível com a imagem reduzida ao tamanho de um polegar. Se não ler, reprova.
A última linha não tem número oficial, e não precisa. É regra da sua marca, e o checklist de design é o lugar dela.
Checklist de design pro Instagram
No Instagram, a margem morre no vídeo vertical. A interface cobre o topo com o nome do perfil e a base com legenda e botões. O designer que encosta o título na borda descobre isso depois de publicar, e é aqui que o checklist de design paga o próprio custo.
A Meta publica a régua no guia de anúncios de Reels do Instagram: resolução de 1440 x 2560 pixels, proporção 9:16, e a orientação de deixar pelo menos 14% do topo, 35% da base e 6% de cada lado sem texto, logo ou outro elemento criativo importante. A página é de anúncio. Eu uso a mesma régua no conteúdo orgânico, por garantia, porque é a medida oficial mais conservadora que a Meta escreve.
Pra imagem no feed, o guia de anúncios de imagem no feed do Instagram recomenda resolução de 1440 x 1800 pixels, proporção 4:5 e largura mínima de 500 pixels.
O trecho do guardrail pro Instagram:
- Reels e vídeo vertical: 9:16, entregar em 1440 x 2560 px.
- Nada importante nos 14% de cima, nos 35% de baixo e nos 6% de cada lado.
- Imagem de feed: 4:5, entregar em 1440 x 1800 px.
- Carrossel: mesma proporção em todos os cards, e o texto de cada card longe da borda.
- Antes de entregar, simular a arte com a interface por cima. Se algum texto ficar coberto, reprova.
Repara que o guardrail não pede pro designer lembrar porcentagem de cabeça. Quem lembra é o arquivo. A IA dele confere, mede e devolve a arte corrigida. É raro um checklist de design ser cumprido de memória, e o guardrail tira a memória da equação.
Checklist de design pro LinkedIn
No LinkedIn o erro clássico é a capa da Página. Ela é larga e baixa, e o detalhe que o designer pôs no canto vira vítima do recorte.
A Ajuda do LinkedIn sobre imagens da Página define a imagem de capa em 1512 x 256 pixels e avisa que ela pode ser ajustada à tela, cortando na horizontal ou na vertical. A recomendação da própria página é manter os detalhes importantes longe das bordas, principalmente do canto inferior direito. Na mesma página, a imagem customizada de post da Página com link usa proporção 1.91:1, ou 1200 x 627 pixels, e o logo recomendado é de 400 x 400 pixels.
O trecho do guardrail pro LinkedIn:
- Capa da Página: 1512 x 256 px, nada importante perto das bordas, e nada no canto inferior direito.
- Imagem de post com link: 1.91:1, entregar em 1200 x 627 px.
- Logo da Página: 400 x 400 px, legível em fundo claro e escuro.
- Formato que não está nesta lista, como documento em carrossel ou banner de perfil pessoal: conferir a área segura na página oficial do LinkedIn antes de criar.
Essa última regra é a mais honesta do arquivo. O checklist de design não precisa saber tudo. Precisa saber o que não sabe e mandar perguntar.
Como pedir pro designer usar o checklist de design
Aqui mora o medo do gestor. Ele acha que precisa entender a ferramenta do designer pra exigir alguma coisa. Não precisa. Cada macaco no seu galho: o designer cuida do como, você cuida da regra.
O pedido cabe em quatro passos:
- Entrega o arquivo, sem perguntar qual IA ele usa. ChatGPT, Claude, Gemini ou o recurso de IA do editor de imagem, tanto faz. Todo assistente aceita instrução em texto, seja num projeto, num prompt fixo ou colado no começo da conversa.
- Diz a frase inteira. “Passa toda arte por esse arquivo antes de mandar pra mim.” Sem ela, o arquivo vira mais um PDF que ninguém abre.
- Pede o relatório junto com a arte. Uma linha por regra: passou ou reprovou, e o que foi corrigido. Esse relatório é a prova de que o guardrail rodou.
- Atualiza o arquivo quando aparecer erro novo. Arte voltou por um motivo que não estava escrito? O motivo vira regra na mesma semana.
Se o designer reclamar que é burocracia, mostra a conta do retrabalho. Cada arte que volta custa a hora dele e a sua. Um checklist de design que roda antes custa segundos, porque quem confere é a máquina.
E se você coordena mais de um designer, o checklist de design ganha mais valor ainda. Duas pessoas, duas IAs, a mesma régua. A marca para de ter três versões de margem.
O que o guardrail não substitui: o olho humano
O guardrail confere medida. Ele não confere gosto. Não sabe se a foto combina com a mensagem, se o título promete o que o post entrega ou se a piada da arte vai cair mal. Isso continua sendo trabalho de gente, e nenhum checklist de design resolve.
Eu escrevi sobre essa divisão em quem revisa o que a IA escreve. A lógica pra arte é a mesma: a máquina faz a primeira passada, a pessoa decide. O checklist de design tira da sua mesa o erro bobo, aquele que você não deveria estar corrigindo. Sobra tempo pro julgamento que só você faz.
Uma rotina simples resolve o resto. Uma vez por semana, abre três artes publicadas no celular, do jeito que o cliente vê. Anota o que incomodou. Se o incômodo for de medida, vira regra no arquivo. Se for de gosto, vira conversa com o designer. A conferência serve pra calibrar, e não pra vigiar ninguém.
E fica de olho na fonte. Plataforma muda tamanho, muda interface, muda área segura. Quando isso acontece, quem atualiza o checklist de design é você, olhando a página oficial, e nunca um print que circulou num grupo.
O designer já usa IA, e não adianta brigar com isso. O que muda o jogo é você entregar a regra por escrito, uma vez, num arquivo que a IA dele lê sempre. É isso que o checklist de design vira quando ganha forma de guardrail: a trava que segura a arte errada antes de ela chegar na sua caixa de entrada.
Começa pequeno. Um bloco de checklist de design pra mídia que mais te dá dor de cabeça, com os números da página oficial e uma regra de trava no fim. Roda por duas semanas. Depois acrescenta as outras mídias. Em pouco tempo o retrabalho de margem some, e a sua revisão passa a olhar só o que interessa.
Quer o guardrail de arte rodando no seu time?
O checklist de design está aqui, de graça, e dá pra montar sozinho com os números das páginas oficiais. Se quiser ajuda pra fazer o guardrail funcionar na sua área, com o seu designer e as suas mídias, fala comigo.
Perguntas frequentes
O que é checklist de design?
É a lista de regras que uma arte precisa cumprir antes de ser entregue: tamanho, proporção, área segura, posição de texto e logo. Quando ele é escrito em texto puro e lido pela IA do designer a cada entrega, vira um guardrail de arte, que barra a peça fora da regra.
Preciso saber qual IA o designer usa?
Não. Qualquer assistente de IA aceita instrução em texto, então o mesmo arquivo serve pra ferramentas diferentes. O que você precisa é da frase de uso e do relatório de conferência junto com cada arte.
Qual é a área segura do Reels?
No guia de anúncios de Reels do Instagram, a Meta orienta deixar pelo menos 14% do topo, 35% da base e 6% de cada lado sem texto, logo ou elemento criativo importante, num vídeo de 1440 x 2560 pixels em 9:16.
De quanto em quanto tempo atualizar o checklist de design?
Toda vez que uma arte voltar por um motivo que não estava escrito, e toda vez que a plataforma mudar a medida na página oficial. Uma conferência semanal de três artes publicadas, olhando no celular, mostra quando chegou a hora.
